Todo mundo já gritou “vai no VAR!” durante uma partida, mas poucos torcedores sabem exatamente o que acontece dentro daquela cabine com telas ligada a cada lance polêmico. O protocolo é mais rígido — e mais limitado — do que muita gente imagina, e em 2026 ele ganhou uma atualização importante que muda o que pode e o que não pode ser revisado em campo.
O que é a Sala de Operação de Vídeo (VOR)
O sistema de arbitragem de vídeo usado no Brasileirão segue os protocolos estabelecidos pelo International Football Association Board (IFAB) e opera a partir de uma cabine especializada, a VOR (Video Operation Room, ou Sala de Operação de Vídeo), equipada com monitores de alta definição e acesso a todas as câmeras da transmissão oficial da partida.
Dentro dessa cabine, quatro profissionais trabalham em conjunto:
- VAR: o árbitro de vídeo, que acompanha a partida inteira e se comunica diretamente com o árbitro em campo.
- AVAR: assistente que observa lances paralelos para garantir que nada relevante passe despercebido enquanto o VAR foca no lance principal.
- AVAR2: especialista em impedimentos, que usa softwares de traçado de linhas para determinar posições com precisão milimétrica.
- OR (Operador de Replay): técnico responsável por selecionar os ângulos de câmera e controlar a velocidade das repetições.
As 4 situações em que o VAR pode intervir
Diferente do que muitos torcedores pensam, o VAR não revisa qualquer lance duvidoso. O protocolo do IFAB limita a intervenção a apenas quatro cenários:
- Gols: toda vez que a bola entra no gol, o lance é automaticamente checado em busca de impedimento, faltas na jogada de construção e se a bola cruzou inteiramente a linha.
- Pênaltis: o VAR pode recomendar a marcação ou o cancelamento de um pênalti com base no contato, na localização da infração ou em simulação.
- Cartões vermelhos diretos: apenas expulsões diretas podem ser revisadas — até a temporada 2025, um segundo cartão amarelo (que também resulta em expulsão) ficava fora do alcance do VAR.
- Confusão de identidade: quando o árbitro pune o jogador errado.
Como funciona a checagem na prática
O processo segue um roteiro bem definido. Primeiro, acontece a “checagem silenciosa”: o VAR analisa o lance sem interromper o jogo. Se um erro claro é identificado, o VAR entra em contato por rádio com o árbitro principal. A partir daí, o árbitro de campo tem duas opções: aceitar a recomendação diretamente, ou ir até a beira do campo rever a jogada na tela lateral antes de tomar a decisão final — o chamado “on-field review”.
O que mudou em 2026: a “Lei Vini Jr” e o novo alcance do VAR
Em agosto de 2026, a CBF aprovou um pacote de nove novas regras para o futebol brasileiro, válidas imediatamente para todas as divisões, a Copa do Brasil e o Brasileiro Feminino A1. As mudanças foram testadas na Copa do Mundo de 2026 e representam, nas palavras do presidente da CBF, Samir Xaud, uma “reestruturação do futebol brasileiro” construída em diálogo com os clubes.
A principal mudança para o VAR: agora ele pode revisar expulsões por segundo cartão amarelo — algo que antes ficava de fora do protocolo. Outras novidades relevantes do pacote:
- “Lei Vini Jr”: cartão vermelho direto para jogadores que tampam a boca intencionalmente em confrontos com adversários.
- Lançamento lateral: limite de 5 segundos a partir do momento em que o jogador pega a bola.
- Tiro de meta: contagem regressiva de 5 segundos após o apito.
- Substituições: o jogador substituído tem 10 segundos para deixar o campo pelo ponto mais próximo da linha lateral.
- Atendimento médico: o jogador atendido precisa ficar fora de campo por 1 minuto após o atendimento.
- Comunicação com o árbitro: só o capitão da equipe pode falar com o árbitro durante a partida.
A CBF também comprometeu R$ 200 milhões em investimentos para a arbitragem entre 2026 e 2027, com o objetivo declarado de tornar o jogo “mais fluido” e com “menos interrupções”.
Perguntas frequentes sobre o VAR no Brasileirão
O VAR pode ser usado em qualquer lance duvidoso?
Não. O protocolo do IFAB restringe as revisões a quatro situações específicas: gols, pênaltis, cartões vermelhos diretos (incluindo agora o segundo amarelo, desde a atualização de 2026) e casos de confusão de identidade do jogador punido.
Quem toma a decisão final: o VAR ou o árbitro de campo?
A decisão final é sempre do árbitro principal em campo. O VAR apenas recomenda uma revisão; o árbitro pode aceitar a sugestão ou ir pessoalmente rever o lance na tela lateral antes de decidir.
Por que às vezes um gol demora tanto para ser validado?
Porque toda vez que a bola entra no gol, o VAR faz uma checagem automática e silenciosa por impedimento e por faltas durante a jogada de construção, mesmo que a arbitragem em campo já tenha assinalado o gol — esse processo pode levar alguns segundos até a confirmação aparecer no telão.
Fontes
Lance! — Como funciona o VAR no Brasileirão e Gazeta Esportiva — CBF aprova novas regras do futebol brasileiro.
Quer entender o restante do regulamento por trás do campeonato? Confira também nosso guia sobre as regras do Campeonato Brasileiro e o resumo da recente rodada do Brasileirão.



