Enquanto o futebol masculino brasileiro já colecionava títulos mundiais nas décadas de 1950 e 1960, as mulheres do país sequer podiam jogar bola oficialmente. A trajetória da Seleção Brasileira Feminina é, por isso, uma história de conquistas construídas apesar de décadas de proibição legal — e não apesar da falta de talento.
A proibição que durou quase 40 anos
Em 14 de abril de 1941, o governo de Getúlio Vargas publicou o Decreto-Lei nº 3.199, que em seu artigo 54 vetava às mulheres a prática de “desportos incompatíveis com as condições de sua natureza”. Em 1965, já durante a ditadura militar, a Deliberação nº 7 do Conselho Nacional de Desportos tornou a proibição explícita para o futebol, junto de outras modalidades como futebol de salão e halterofilismo. Na prática, o Brasil impediu legalmente o futebol feminino organizado até o fim da década de 1970.
A estreia da seleção, em 1986
Mesmo antes da revogação completa das restrições, o Brasil já organizava uma seleção feminina. A estreia em amistoso internacional aconteceu em 1986, em confronto contra os Estados Unidos, com derrota por 2 a 1. A partir daí, o país passou a estruturar aos poucos uma seleção competitiva, ainda com muito menos investimento do que a contraparte masculina.
Os vices e o terceiro lugar em Copas do Mundo
O Brasil disputa a Copa do Mundo Feminina desde a primeira edição, em 1991, e construiu duas campanhas históricas: o terceiro lugar em 1999, nos Estados Unidos, e o vice-campeonato em 2007, na China, quando a seleção perdeu a final para a Alemanha por 2 a 0. Nas edições seguintes (2015, 2019 e 2023), o time brasileiro não conseguiu repetir o desempenho e caiu em fases anteriores à decisão.
Três pratas olímpicas e a hegemonia na Copa América
Nos Jogos Olímpicos, o Brasil conquistou a medalha de prata em três oportunidades: Atenas 2004, Pequim 2008 e Paris 2024. Já na Copa América Feminina, a seleção construiu uma hegemonia quase absoluta, somando oito títulos em nove edições disputadas pela competição sul-americana.
Marta e Formiga: as duas maiores ídolas da história
Nenhuma jogadora representa melhor a seleção do que Marta, eleita cinco vezes seguidas a melhor jogadora do mundo pela FIFA entre 2006 e 2010, e novamente em 2018. Em 2019, ela marcou seu 18º gol em Copas do Mundo, consolidando a marca de maior artilheira da história dos Mundiais femininos. Já Formiga, meio-campista que se despediu das quadras em 2021, é a única jogadora — homem ou mulher — a disputar todos os torneios olímpicos de futebol feminino já realizados, um recorde de longevidade dificilmente alcançável.
Perguntas frequentes
Quando o futebol feminino foi proibido no Brasil?
O Decreto-Lei nº 3.199, de 14 de abril de 1941, vetava a prática de esportes considerados incompatíveis com a “natureza” feminina, e em 1965 a proibição foi explicitamente estendida ao futebol. A restrição vigorou até o fim da década de 1970.
Qual foi a melhor colocação do Brasil em Copas do Mundo Femininas?
O Brasil foi vice-campeão em 2007, na China, quando perdeu a final para a Alemanha por 2 a 0, além do terceiro lugar conquistado em 1999, nos Estados Unidos.
Quantas vezes Marta foi eleita melhor jogadora do mundo?
Marta venceu o prêmio de melhor jogadora do mundo da FIFA seis vezes: cinco consecutivas, entre 2006 e 2010, e novamente em 2018.
Fontes
- Wikipédia — Seleção Brasileira de Futebol Feminino
- Wikipédia — Decreto-Lei Federal do Brasil 3.199 de 1941
Para conhecer mais sobre o principal torneio de seleções do mundo, veja a história completa da Copa do Mundo FIFA e confira também os títulos do Brasil na Copa América.



