Nos últimos quinze anos, o futebol brasileiro passou por uma revolução silenciosa fora de campo: a saída dos estádios municipais, cedidos pelas prefeituras, para arenas modernas, construídas e administradas pelos próprios clubes ou por parceiros privados. Corinthians, Palmeiras e Grêmio foram os pioneiros desse movimento, cada um com um modelo de financiamento diferente — e nem todos os resultados foram exclusivamente positivos.
Inaugurada oficialmente em 18 de maio de 2014, a arena do Corinthians em Itaquera, zona leste de São Paulo, foi construída para sediar a abertura da Copa do Mundo daquele ano. O custo final da obra chegou a cerca de R$ 1,2 bilhão, bem acima da estimativa inicial de R$ 350 milhões, em parte por causa de adequações exigidas pela FIFA e de encargos financeiros. O financiamento combinou um empréstimo de R$ 400 milhões do BNDES, via programa ProCopa Arenas, com a Caixa Econômica Federal atuando como agente repassador, além de R$ 420 milhões em incentivos fiscais concedidos pela Prefeitura de São Paulo. Em setembro de 2020, o estádio ganhou o nome comercial de Neo Química Arena, em contrato de naming rights com o laboratório farmacêutico Hypera.
O Palmeiras seguiu um caminho diferente para erguer sua nova casa. Construído entre 2010 e 2014 no mesmo terreno do tradicional Palestra Itália, o Allianz Parque nasceu de uma parceria de concessão com a incorporadora WTorre, responsável por financiar, construir e administrar o estádio por 30 anos. Nesse modelo, o clube recebe uma fatia crescente da receita gerada por jogos, shows e outros eventos ao longo da concessão, e só passa a deter a posse integral da arena ao final do contrato. O acordo de naming rights com a seguradora Allianz foi estimado em cerca de R$ 300 milhões.
Antes mesmo das arenas paulistas, o Grêmio inaugurou, em 8 de dezembro de 2012, uma das primeiras arenas privadas do país fora do ciclo da Copa de 2014. Construída pela OAS a um custo estimado em torno de € 205 milhões, a Arena do Grêmio foi financiada majoritariamente pela venda de debêntures a investidores e torcedores — um modelo pioneiro no Brasil na época. Anos depois, no entanto, o clube enfrentou dificuldades financeiras ligadas à dívida da construção, o que levou o Grêmio a negociar e comprar parte dessa dívida para reduzir os custos de manutenção da arena no longo prazo.
Além do financiamento inicial, as arenas privadas abriram uma fonte de receita que praticamente não existia nos estádios públicos: os contratos de naming rights, em que uma marca paga para batizar o estádio por um período determinado. Casos como Allianz Parque, Neo Química Arena e a Arena Fonte Nova (que já teve os nomes comerciais Itaipava Arena Fonte Nova e Arena Fonte Nova) mostram como essas parcerias se tornaram parte relevante do orçamento anual dos clubes donos de suas próprias arenas.
O movimento ganhou força com as exigências de infraestrutura da Copa do Mundo de 2014, mas também porque estádios próprios geram receitas recorrentes com naming rights, camarotes e eventos que não existiam nos estádios municipais cedidos pelas prefeituras.
A obra custou cerca de R$ 1,2 bilhão, financiada com um empréstimo de R$ 400 milhões do BNDES, incentivos fiscais da Prefeitura de São Paulo e recursos próprios do clube.
O Palmeiras fechou uma parceria de concessão de 30 anos com a incorporadora WTorre, que financiou, construiu e administra o estádio, repassando ao clube uma fatia crescente da receita ao longo do contrato.
Wikipédia — Neo Química ArenaWikipédia — Allianz Parque
Essas três arenas fazem parte de uma lista maior de palcos icônicos do futebol nacional: veja nosso panorama sobre os estádios mais icônicos do futebol brasileiro. O modelo de gestão privada das arenas também está ligado a outra transformação recente no futebol nacional, detalhada em nosso guia sobre a SAF no futebol brasileiro.
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