É uma das jogadas mais repetidas em qualquer partida de futebol, mas poucos torcedores param para pensar na história por trás dela: o escanteio, ou tiro de canto, é uma regra centenária que já passou por mudanças curiosas — incluindo uma fase em que era proibido fazer gol diretamente dele, e outra em que chegou a decidir campeonatos no lugar de pênaltis.
A regra do escanteio foi introduzida em 1872, poucos anos depois da fundação da Football Association, em 1863, que organizou pela primeira vez as regras do futebol moderno. A ideia era simples e segue válida até hoje: quando a bola sai pela linha de fundo depois de tocar em um jogador da equipe que defende aquele lado do campo, o jogo é reiniciado com um tiro de canto para o time atacante, cobrado do quadrante mais próximo de onde a bola saiu.
Até 1924, a regra não permitia gol marcado diretamente de uma cobrança de escanteio — a bola precisava tocar em outro jogador antes de entrar no gol. Esse ano marcou uma mudança histórica no regulamento, que passou a autorizar o gol direto. A mudança ficou mundialmente famosa graças a um lance específico: em outubro de 1924, o argentino Cesáreo Onzari marcou direto de escanteio contra o Uruguai, campeão olímpico havia poucos meses, em um amistoso. Os jogadores argentinos batizaram o gol de "gol olímpico" como provocação aos rivais uruguaios — nome que o lance carrega até hoje em todo o mundo de língua espanhola e portuguesa.
Um capítulo pouco conhecido da história do escanteio aconteceu na Irlanda. Depois que o International Board proibiu, em 1923, qualquer outra forma de pontuação que não fosse o gol, competições beneficentes irlandesas como a Dublin City Cup e a Dublin-Belfast Inter-City Cup continuaram usando a contagem de escanteios como critério de desempate em partidas equilibradas — uma prática que resistiu, à margem das regras oficiais, até os anos 1960. Há relatos de finais decididas por contagens estapafúrdias de escanteios, com um time levando a melhor por uma diferença de quase 200 cobranças ao longo da disputa.
Atualmente, as regras da International Football Association Board (IFAB) definem que o escanteio é cobrado com a bola parada dentro do quadrante demarcado no canto do campo, sem que os jogadores adversários possam se aproximar a menos de 9,15 metros até que a bola seja jogada. Assim como em qualquer outra bola parada, é permitido marcar gol diretamente do escanteio, e o cobrador não pode tocar na bola pela segunda vez antes que outro jogador a toque — regra que só foi criada depois que o inglês Sam Chedzgoy driblou o goleiro adversário ao tocar a bola para si mesmo em uma cobrança de escanteio, explorando uma brecha da época.
A regra do tiro de canto foi introduzida em 1872, cerca de nove anos depois da fundação da Football Association, que organizou as primeiras regras oficiais do futebol moderno em 1863.
Sim, desde 1924. Antes disso, a bola precisava obrigatoriamente tocar em outro jogador para o gol ser validado. O gol direto de escanteio ficou conhecido como "gol olímpico" depois de um lance histórico do argentino Cesáreo Onzari contra o Uruguai, no mesmo ano da mudança de regra.
Sim, embora de forma não oficial. Depois que o International Board proibiu formalmente esse uso em 1923, algumas competições beneficentes na Irlanda continuaram decidindo partidas equilibradas pela contagem de escanteios até os anos 1960, à margem do regulamento internacional.
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