Antes de 2003, ser campeão brasileiro podia depender de uma eliminatória de mata-mata disputada em um único jogo ruim, mesmo depois de uma campanha impecável no returno. Foi para acabar com esse tipo de injustiça estatística que a CBF adotou, a partir daquele ano, o formato de pontos corridos — hoje tão consolidado que é difícil imaginar o Brasileirão de outra forma.
No sistema de pontos corridos, todos os 20 clubes da Série A se enfrentam em turno e returno — ou seja, cada time joga contra todos os adversários duas vezes, uma em casa e outra fora, totalizando 38 rodadas. O campeão é simplesmente quem termina com mais pontos ao final de todas as rodadas, sem fase de mata-mata, sem grupos e sem decisão em jogo único.
Esse modelo praticamente elimina o fator sorte de uma eliminatória isolada: para ser campeão, o time precisa manter consistência ao longo de toda a temporada, e não apenas acertar o timing de duas partidas decisivas.
Antes da reforma, o Campeonato Brasileiro passou por dezenas de formatos diferentes ao longo de sua história — com fases de grupos regionais, quadrangulares e mata-matas que geravam constantes polêmicas e críticas de organizações como a FIFA, que via no modelo brasileiro uma falta de padronização em relação ao resto do mundo. A adoção dos pontos corridos, no molde de ligas como o Campeonato Espanhol e a Premier League inglesa, foi uma resposta direta a essas críticas e trouxe mais previsibilidade e transparência aos critérios de título, acesso e rebaixamento.
Desde 2003, alguns clubes se destacaram justamente por sustentar bom futebol ao longo de temporadas inteiras, e não apenas em picos isolados. São Paulo e Flamengo costumam disputar a ponta do ranking histórico de pontos acumulados na era pontos corridos, refletindo tanto os tricampeonatos paulistas do início dos anos 2000 quanto o domínio mais recente do Flamengo, que voltou a ser campeão brasileiro em 2025 — o time com a maior torcida do país também vem sendo, nos últimos anos, um dos mais consistentes dentro de campo.
Vale lembrar que o título mais recente antes desse foi do Botafogo, campeão brasileiro e da Libertadores na mesma temporada de 2024 — uma dobradinha rara que mostra como, mesmo em um formato pensado para recompensar consistência, campanhas de destaque em uma única temporada ainda podem colocar um clube no topo da tabela.
Desde 2003. Antes disso, o campeonato teve diversos formatos ao longo de décadas, incluindo fases de grupos regionais e mata-matas.
38 jogos: cada um dos 20 clubes da Série A enfrenta todos os outros 19 adversários duas vezes, uma vez em casa e outra fora de casa, em turno e returno.
Os critérios de desempate seguem a ordem definida pelo regulamento da CBF: número de vitórias, saldo de gols, gols marcados e, em seguida, outros critérios técnicos — sem necessidade de jogo de desempate.
CBF — Flamengo é campeão do Brasileirão Betano 2025.
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