Nos últimos quinze anos, um novo tipo de receita passou a fazer parte do orçamento dos grandes clubes brasileiros: o “naming rights”, ou venda do nome do estádio para uma marca patrocinadora. O modelo, comum há décadas na Europa e nos Estados Unidos, se consolidou no Brasil a partir da Copa do Mundo de 2014 e hoje movimenta dezenas de milhões de reais por ano entre os principais clubes do país.
Como Funciona o Naming Rights no Futebol
No modelo de naming rights, uma empresa paga ao clube (ou ao operador do estádio) pelo direito de associar sua marca ao nome do estádio por um período determinado em contrato, geralmente de cinco a dez anos. O acordo costuma incluir não apenas a placa com o nome, mas também direitos de ativação em eventos não ligados ao futebol, receita de camarotes e cadeiras numeradas, e presença da marca em materiais de comunicação do clube.
Os Maiores Contratos do Brasil
Dois dos maiores exemplos do país pertencem a rivais paulistas: o Allianz Parque, do Palmeiras, tem contrato com a seguradora Allianz avaliado em cerca de R$ 300 milhões ao longo da parceria, com repasse anual estimado em R$ 15 milhões ao clube. Do outro lado da cidade, a Neo Química Arena, do Corinthians, soma outro contrato na casa dos R$ 300 milhões, hoje com a farmacêutica Hypera (marca Neo Química), também em torno de R$ 15 milhões por ano. Já o Morumbi, do São Paulo, rebatizado como “MorumBIS” em acordo com a Mondelez, tem contrato menor em valor total (cerca de R$ 75 milhões), mas com repasse anual mais alto, próximo de R$ 25 milhões — resultado de um contrato mais curto e concentrado.
Por que o Modelo Cresceu no Brasil
A expansão do naming rights no futebol brasileiro está diretamente ligada à onda de construção e reforma de estádios para a Copa do Mundo de 2014, que deixou diversos clubes com arenas próprias ou de uso preferencial — um modelo de negócio detalhado na reportagem sobre as arenas privadas no Brasil. Sem depender de um estádio próprio, nenhum clube consegue negociar naming rights — por isso o modelo está concentrado nos times que construíram ou assumiram a gestão de suas arenas nas últimas duas décadas.
Os Limites do Modelo
Apesar do crescimento, contratos de naming rights no Brasil ainda rendem valores modestos se comparados à Europa, onde estádios como o Allianz Arena (Bayern de Munique) ou o Emirates Stadium (Arsenal) somam contratos bilionários em moeda local ao longo de décadas. Além disso, nem sempre o acordo dura o período planejado: há casos de renegociação antecipada quando surge uma oferta mais vantajosa, como demonstrou o interesse recente de outras marcas em assumir o naming rights de arenas já batizadas.
Perguntas Frequentes
O que é naming rights no futebol?
É a venda do direito de nomear um estádio para uma marca patrocinadora, mediante contrato com duração determinada, geralmente de cinco a dez anos, em troca de pagamento anual ao clube ou operador da arena.
Quais são os maiores contratos de naming rights do futebol brasileiro?
Os contratos do Allianz Parque (Palmeiras) e da Neo Química Arena (Corinthians) estão entre os maiores do país, cada um avaliado em torno de R$ 300 milhões ao longo da parceria, com repasses anuais próximos de R$ 15 milhões.
Por que só alguns clubes brasileiros têm naming rights?
Porque o modelo depende de o clube ter um estádio próprio ou sob gestão de longo prazo. Times que mandam seus jogos em estádios públicos administrados por terceiros não têm esse direito para negociar.
Fontes
Lance! — Naming rights em estádios brasileiros: compare valores
Times Brasil — Quanto custa um naming rights de um estádio
Para entender melhor o modelo de negócio por trás das arenas modernas, veja também a reportagem sobre as arenas privadas no Brasil e a história do Palmeiras.



